"Porque andamos por fé, e não por vista."
(2 Coríntios 5:7)
Há uma palavra que eu preciso te dizer antes de começarmos, e é essa: o fato de você não estar vendo, não significa que não haja nada para ver.
Deixa eu te explicar o que eu quero dizer com isso.
Existem momentos na vida em que nós olhamos — olhamos de verdade, com os olhos bem abertos — e tudo o que enxergamos é o vazio. Olhamos para o casamento e não vemos restauração. Olhamos para a conta bancária e não vemos provisão. Olhamos para aquele filho que se afastou e não vemos o caminho de volta. Olhamos para o corpo doente e não vemos cura. E, honestamente, depois de olhar tantas vezes e não ver nada, alguma coisa dentro de nós começa a morrer. Não é a fé que morre primeiro — é a disposição de olhar de novo.
Mas eu vim te dizer que existe uma diferença entre olhar e enxergar. E existe uma diferença ainda maior entre desistir de olhar e continuar olhando até que o céu se abra.
Vem comigo. Eu quero te levar a três lugares na Escritura onde homens olharam, não viram nada, e foram desafiados — por Deus, pela vida, pela própria fé — a olhar mais uma vez.
I. O Homem Que Via Árvores Andando
"Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito."
(Marcos 8:24-25, ARC)
Vamos começar em Betsaida.
Marcos 8 abre com uma multidão faminta e um milagre repetido — pães multiplicados pela segunda vez, cestos transbordando, quatro mil homens alimentados. E se você conhece essa história, sabe que logo depois Jesus entra no barco com os discípulos. No meio da travessia, os discípulos — que tinham acabado de ver o pão se multiplicar nas próprias mãos — começam a se preocupar porque só tinham um pão para todos eles.
Eu preciso parar bem aqui, porque isso é mais comum do que a gente gostaria de admitir.
Nós vemos Deus mover. Nós vemos a provisão chegar. Nós vemos a porta se abrir onde não havia porta nenhuma. E, mesmo assim, na travessia seguinte, no barco seguinte, na tempestade seguinte — nós entramos em pânico como se nunca tivéssemos visto nada.
Jesus olha para esses homens e faz uma pergunta que ainda ecoa:
"Por que discorreis sobre o não terdes pão? Ainda não considerastes, nem compreendestes? Tendes o coração endurecido? Tendo olhos, não vedes?"
(Marcos 8:17-18, ARC)
Eles tinham olhos. Só não estavam vendo.
E é exatamente quando o barco chega do outro lado, numa cidade chamada Betsaida, que a Bíblia nos apresenta o contraste mais poderoso: um homem cego é trazido a Jesus.
Preste atenção nisso comigo — porque é sutil, mas é tudo.
Os discípulos tinham os olhos abertos e o coração fechado. O homem de Betsaida tinha os olhos fechados e o coração aberto. A cegueira dos discípulos era espiritual. A cegueira do homem era natural. E, entre os dois, era o cego quem enxergava mais longe — porque ele sabia, sem nunca ter visto o rosto de Jesus, que ali estava a sua única esperança.
Às vezes a pessoa que tudo parece ter contra si é a que mais perto está do milagre. E a pessoa que tudo parece ter a favor é a que está cega sem nem sequer saber.
Jesus toma esse homem pela mão — repare, Ele toma pela mão — e o leva para fora da aldeia. A Bíblia não explica por quê, mas eu vou te dizer o que eu creio: existe um ambiente errado para o seu milagre acontecer, e existe um ambiente certo. Na aldeia, todo mundo já tinha decidido quem aquele homem era. E não existe fé que sobreviva por muito tempo dentro de um círculo de gente que já decretou que nada vai mudar.
Se você quer ver o seu milagre, talvez você precise, como esse homem, deixar que Deus te tire do lugar onde todos já sabem "quem você é" — para um lugar onde só Deus decide quem você será.
Então vem a parte que eu mais amo nessa história inteira.
"Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?"
(Marcos 8:23, ARC)
E o homem responde algo estranho: "Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando."
Pausa aqui comigo.
Esse foi o único milagre, em todos os quatro Evangelhos, em que Jesus teve que orar duas vezes. Ele não fez de propósito uma cura pela metade porque faltou poder — Ele tem todo o poder do universo nas mãos. Ele fez isso, eu creio, para nos ensinar algo que toda geração precisa aprender de novo: existem curas instantâneas, e existem curas em processo. E o problema de muita gente não é falta de fé — é impaciência com o processo.
Você já parou pra pensar quanta gente desiste bem no meio da segunda oração de Jesus? Quanta gente vê "homens como árvores andando" — uma visão parcial, um sinal ainda embaçado — e diz "não funcionou", larga a fé, volta pra aldeia da incredulidade?
Jesus põe as mãos nos olhos do homem outra vez. E é aí que ele passa a ver claramente, e tudo se distingue de modo perfeito. Entre o primeiro toque e a clareza total, houve um instante em que o milagre parecia inacabado. E é justamente nesse instante — no espaço entre o "quase" e o "completo" — que Deus está te chamando agora para olhar de novo.
II. Sete Vezes Até a Nuvem Aparecer
"E disse ao seu moço: Sobe e olha para o lado do mar. Ele subiu, olhou e disse: Não há nada. Então, lhe disse Elias: Volta. E assim por sete vezes. À sétima vez disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem."
(1 Reis 18:43-44, ARC)
Agora eu quero te levar ao topo do Monte Carmelo, onde um profeta chamado Elias estava prestes a nos ensinar a lição mais dura sobre perseverança que a Bíblia registra.
O pano de fundo: Israel vivia uma seca de três anos e meio, decretada pela própria boca de Elias. Uma nação inteira dependente da agricultura, sem chuva. Sem chuva, sem plantação. Sem plantação, sem colheita. Sem colheita, gente morrendo de fome. Foi uma devastação.
Mas agora, no capítulo 18, a palavra do Senhor vem novamente a Elias:
"Muito tempo depois, veio a palavra do Senhor a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe, porque darei chuva sobre a terra."
(1 Reis 18:1, ARC)
E veja o que Elias faz com essa palavra, porque isso é uma aula inteira sobre como lidar com uma promessa antes de ela se cumprir.
Primeiro, ele declara o que Deus falou — mesmo sem nenhuma evidência natural:
"Então, disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, porque já se ouve ruído de abundante chuva."
(1 Reis 18:41, ARC)
Não tinha caído uma gota. Não havia uma nuvem no céu inteiro. Mas Elias já estava falando como se o céu já estivesse aberto, porque, para ele, a palavra de Deus e a realidade eram a mesma coisa. Isso é fé: falar o que Deus falou antes que os seus olhos confirmem.
Mas — e aqui está o detalhe que muita gente pula — declarar não substitui orar:
"Subiu Acabe a comer e a beber; Elias, porém, subiu ao cimo do Carmelo, e, encurvado para a terra, meteu o rosto entre os joelhos."
(1 Reis 18:42, ARC)
Alguém já percebeu que essa é exatamente a posição que uma mulher grávida assumia ao dar à luz naquela época? Elias não estava apenas orando — ele estava dando à luz algo no mundo espiritual antes que isso nascesse no mundo natural.
Toda promessa de Deus, antes de aparecer diante dos seus olhos, precisa ser gerada em algum lugar que os seus olhos não alcançam. Sua cura está sendo gerada. Sua restauração está sendo gerada. O seu milagre já está em trabalho de parto — só ainda não rompeu para este lado.
E é aqui que a cena fica insuportavelmente honesta. Elias manda o seu servo subir e olhar para o mar. O rapaz sobe, olha, e volta com a pior notícia possível: "Não há nada." Elias não discute. Não desiste. Apenas diz: "Volta."
O servo sobe de novo. Olha de novo. Nada. Volta.
Imagina isso na prática — porque eu já imaginei essa cena centenas de vezes. Um homem ajoelhado, com o rosto colado nos próprios joelhos, ouvindo repetidamente: "Nada, Elias. Não tem nada lá." E, em vez de levantar a cabeça e dizer "então talvez eu tenha ouvido errado", ele simplesmente responde: "Olha de novo."
Uma vez. Nada.
Duas vezes. Nada.
Três, quatro, cinco, seis vezes. Nada, nada, nada, nada.
Se fosse eu — e talvez se fosse você também — na quarta ou na quinta vez eu já teria me levantado e ido embora, convencido de que tinha ouvido errado a voz de Deus. A maioria das pessoas que eu conheço não desistiu de Deus na primeira decepção. Elas desistiram entre a quarta e a sétima tentativa — bem ali, na reta final, sem saber que estavam a um "olha de novo" de distância do milagre.
Só na sétima vez o servo volta e diz que se levantava do mar uma nuvem pequena como a palma da mão. Isso não é nem chuva ainda. É só um indício. Mas para quem orou seis vezes sem ver nada, uma nuvem do tamanho de uma mão é o céu inteiro se abrindo.
Eu quero te perguntar: em que "sétima vez" você está agora? Você já olhou, orou, esperou, tentou seis vezes — e o inimigo está sussurrando que a sétima vai ser igual às outras seis? Eu vim te lembrar que o diabo não é onisciente. Ele não sabe o futuro. Mas ele consegue perceber a movimentação no mundo espiritual, e quando ele sente que algo está prestes a nascer na sua vida, ele intensifica o ataque bem na reta final — não porque você está perdendo, mas precisamente porque você está prestes a vencer.
Olha de novo. A nuvem já pode estar se formando do outro lado do que os seus olhos alcançam.
III. As Redes no Mesmo Lugar Onde Você Já Falhou
"Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes."
(Lucas 5:5, ARC)
E agora eu te levo para a última cena, à beira do lago de Genesaré, onde um pescador experiente estava lavando as redes depois da pior noite de trabalho da sua vida.
Simão Pedro não era um amador. Esse homem conhecia aquelas águas desde criança. Conhecia as correntes, as estações, os horários certos, as iscas certas. E, mesmo com todo esse conhecimento, ele tinha acabado de passar a noite inteira — a noite inteira — sem pescar absolutamente nada.
"E viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes."
(Lucas 5:2, ARC)
Agora imagina o estado emocional desse homem. Não é só cansaço físico. É a humilhação silenciosa de quem faz aquilo que sabe fazer melhor do que ninguém, e mesmo assim volta de mãos vazias. Ele já tinha desistido. Já estava lavando as redes — o gesto final de quem encerra o expediente e vai para casa.
E é exatamente nesse momento, não antes, que Jesus entra no barco dele.
Eu preciso que você preste atenção nisso: Jesus não chega antes da frustração de Pedro. Ele chega depois. Ele deixa Pedro esgotar todo o próprio esforço, toda a própria técnica, todo o próprio conhecimento — e só então aparece. Porque há coisas que Deus quer fazer na sua vida que Ele só vai fazer depois que você tiver certeza absoluta de que não foi você quem fez.
"Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar."
(Lucas 5:4, ARC)
Repare a resposta de Pedro, porque ali está toda a tensão entre a lógica humana e a obediência de fé: "Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos..." — é a voz da experiência, da exaustão, do "eu já tentei isso e não funcionou" — "...mas sob a tua palavra lançarei as redes." É a voz de alguém que decide obedecer mesmo sem entender.
E aqui está o detalhe que pode mudar a forma como você vê a sua própria história: Jesus não mandou Pedro ir para outro lugar. Não mandou tentar uma água diferente, um horário diferente, uma estratégia nova. Mandou lançar as redes exatamente no mesmo lugar onde ele já tinha fracassado a noite inteira.
Às vezes nós ficamos procurando um lugar novo para o nosso milagre — um emprego novo, uma cidade nova, um recomeço em algum outro canto — quando Deus está dizendo que o milagre está exatamente onde você já tentou. No mesmo casamento. Na mesma empresa. Na mesma família. No mesmo ministério onde você já jurou que não tinha mais nada para colher.
Você não precisa de um lugar novo. Você precisa de uma palavra nova sobre o lugar antigo.
"Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes."
(Lucas 5:6, ARC)
O lugar do fracasso e o lugar do milagre, muitas vezes, é o mesmo lugar. A única coisa que muda entre um e outro é se você está disposto a olhar de novo e lançar de novo.
Uma Pergunta Antes de Encerrarmos
Eu não sei que área da sua vida você já decidiu que está encerrada. Não sei se foi um casamento, uma promessa sobre um filho, uma restauração financeira, uma cura, um chamado que você guardou na gaveta porque a resposta demorou demais.
Mas eu sei de uma coisa, e é isso que eu quero deixar com você: hoje é o seu dia de olhar de novo.
Não com os olhos cansados de quem já contou as seis tentativas que não deram em nada. Mas com os olhos de quem sabe que existe uma sétima vez guardada bem ali, do outro lado da nuvem que ainda não apareceu.
Olhe de novo com os olhos daquele homem em Betsaida, que enxergou "homens como árvores" e não desistiu antes da clareza total.
Olhe de novo com os olhos de Elias, que mandou o servo subir sete vezes até que uma nuvem do tamanho de uma mão mudasse a história de uma nação inteira.
E olhe de novo com os olhos de Pedro, que lançou as redes no mesmo lugar onde a noite toda só tinha colhido vazio — e descobriu que o milagre estava esperando exatamente ali.
Você já olhou. Eu sei que já. Mas Deus está te dizendo, mais uma vez: olha de novo.


